quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Era Carnaval

Era carnaval. Época de ser feliz. O jovem Cérgio estava fantasiado de malandro, aquele das antigas, de terno branco e lenço de seda (falso). No meio da multidão cantante e carnavalesca, seus olhos confetinados avistaram a mais bela visão de sua breve vida.
Tal visão, vestida de vermelho e com uma auréola pendurada acima da cabeça (uma contradição,não?), retribuía o olhar, e aguardou pacientemente enquanto Cérgio a alcançava. Uma paixão ardida e gostosa criou-se no peito do jovem e ele viu-se frente a frente com o amor de sua vida.
Ele puxava assunto falando sobre carnaval, e tudo que ela retribuía era com sorrisos. Parecia até que não falava português, mas Cérgio percebia que aquele sentimento era mútuo. Parecia até criança, daquelas que se apaixonam a primeira vista.
Ao final do baile, depois de algumas conversas, bebidas e amassadas de roupa, os enamorados se despediram e seguiram para suas respectivas casas. Um silencioso "eu te amo" escapou dos lábios de Cérgio nesta curta despedida e ele observou seu coração partir de carona com a moça em vermelho.
Quando chegou no apartamento sujo e fedido no bairro do Catete (singelamente chamado de casa)decidiu iniciar sua busca pela linda dama que roubara-lhe o coração. Porém, não a viu nos dias seguintes, e seu exaustivo trabalho de escritor de anedotas para jornais de segundo calão tomava-lhe o tempo que era necessário.
E assim foram-se semanas e meses, enquanto nosso galanteador definhava por amor, pensando nas últimas palavras ditas a menina enamorada, que se veriam no próximo bloco. Mal sabia ele que esse bloco, para sua tristeza, só sairia no próximo carnaval.

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